A Reforma Tributária saiu do planejamento e entrou na rotina do mercado FLV
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Se você atua em atacado e distribuição de Frutas, Flores, Legumes e Verduras, a mudança da Reforma Tributária deixou de ser assunto “para o ano que vem” e virou pauta de operação, fiscal e sistema.

<p>Com a implementação dos impostos IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços), a proposta do novo modelo é simplificação e transparência. Só que, no FLV, o impacto imediato é operacional, com documentos fiscais mais sensíveis, maior dependência de cadastro e parametrização corretos e menos espaço para improvisos.</p><p>O que já está no radar em 2026</p><p>Desde janeiro de 2026, as informações relacionadas ao IBS e à CBS passaram a constar nos documentos fiscais eletrônicos. Mesmo com cenário de transição e discussões sobre regulamentos e eventuais flexibilizações de penalidades, a leitura de gestão deve ser objetiva.</p><p>Se a obrigação já está em andamento, o risco é emitir de forma inconsistente e acumular correção para depois.</p><p>No atacado e distribuição de hortifruti, isso escala rápido porque o volume é alto e a operação precisa rodar com velocidade.</p><p>4 pontos que merecem ação com impacto no FLV</p><p>1) Não basta “aparecer” IBS/CBS, é preciso consistência</p><p>O risco não está apenas na eventual rejeição do documento, mas também no retrabalho, divergência por filial ou usuário e um rastro de emissão difícil de auditar depois.</p><p>O foco deve estar na padronização:</p><p>Regras de emissão por tipo de operação</p><p>Validações mínimas antes de autorizar a emissão</p><p>Disciplina de cadastro (produto/cliente/operação)</p><p>2) Adiantamentos passam a ter tratamento fiscal específico</p><p>No segmento de FLV, os adiantamentos são comuns, porém, a partir de 2026, passam a ser tratados como fator gerador de imposto, exigindo emissão de Nota de Débito para manter conformidade.</p><p>O principal risco não é o desconhecimento da regra, mas sim a fragilidade do processo. Se não houver um fluxo transparente (receber → documentar → conciliar), a empresa vira refém de exceções.</p><p>3) Split Payment (2027) exigirá planejamento financeiro antecipado</p><p>Previsto para 2027, o modelo de Split Payment altera a dinâmica de crédito tributário, que tende a ser reconhecido após o recolhimento do imposto pelo fornecedor.</p><p>Para o setor de FLV (margem curta + giro alto), a mudança pode afetar capital de giro e negociação. Ainda que não seja uma exigência imediata, o momento de revisar cenários financeiros é agora.</p><p>4) Transição até 2033 exigirá atualização constante</p><p>Entre 2029 e 2033, a substituição gradual de ICMS e ISS pelo IBS prevê ajustes anuais de alíquotas, indicando que processos e sistemas precisarão acompanhar mudanças frequentes.</p><p>Sem um sistema que garanta a atualização contínua, o risco fiscal deixa de ser pontual e passa a ser estrutural.</p><p>“Sem multa agora” não é estratégia</p><p>Mesmo que exista suspensão temporária de penalidades em determinados casos, isso não elimina:</p><p>A obrigação de informar corretamente</p><p>Os impactos jurídicos e operacionais indiretos</p><p>A incerteza sobre exigências futuras de regularização de documentos emitidos desde janeiro</p><p>Emitir corretamente desde o início evita a criação de uma “dívida operacional” que pode comprometer a gestão nos próximos anos.</p><p>Checklist para as próximas semanas</p><p>Mapear todos os tipos de operações realizadas (venda, devolução, bonificação, transferência etc.).</p><p>Auditar documentos já emitidos e procurar padrões de inconsistência.</p><p>Reduzir preenchimentos manuais e “jeitinhos” por usuário/filial.</p><p>Definir o fluxo e a emissão da Nota de Débito como regra, não como exceção.</p><p>Em 2026, vantagem competitiva é controle operacional</p><p>No atacado e distribuição de FLV, a Reforma Tributária já está em execução. Quem padroniza emissão, fortalece cadastros e amarra fluxos (especialmente adiantamentos e financeiro) reduz risco, diminui retrabalhos e mantém a operação fluindo, que é o que realmente importa no setor.</p>