O tomate foi para o lixo do supermercado, mas no seu sistema ele ainda está à venda

Gestão do Atacado

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Quando o supermercado descarta o tomate e devolve só o valor, o sistema continua mostrando estoque que não existe e lucro que não aconteceu. O texto explica como lançar a devolução vinculada à venda, gerar a saída por quebra e acertar tudo no financeiro.

O tomate foi para o lixo do supermercado, mas no seu sistema ele ainda está à venda

<article> <h1>O tomate foi para o lixo do supermercado, mas no seu sistema ele ainda está à venda</h1> <p><em>Por Manoel Carlos — Comercial, Mercatus Tecnologia</em></p> <p><em>Publicado em 27/10/2026 · 8 min de leitura</em></p> <p>Para falarmos sobre quebra no atacado de hortifruti, precisamos falar sobre devolução. Uma parte da mercadoria que estraga não estraga no seu box nem no seu centro de distribuição. Estraga na loja do cliente e volta para você como devolução. Segundo a ABRAS, o FLV foi a seção com a maior perda do supermercado em 2020: 5,25% do faturamento bruto. Por isso, toda devolução por quebra deve entrar no sistema vinculada à venda e ao produto e, se a mercadoria não voltou, virar saída por quebra.</p> <p>Imagine uma situação comum. Você vende 100 caixas de tomate para um supermercado. Dois dias depois, o comprador liga dizendo que 2 caixas chegaram ruins, ou que 5 kg não tinham condição de ir para a gôndola. A mercadoria foi descartada na loja, sendo que o cliente vai querer acertar essa diferença. Quem trabalha com F.F.L.V.O (Flores, Frutas, Legumes, Verduras e Ovos) recebe essa ligação de supermercados, redes, hotéis, padarias e restaurantes o tempo todo.</p> <p>E não é por acaso. Na Pesquisa de Eficiência Operacional de 2025, a ABRAS continua apontando o FLV entre as áreas do supermercado mais sensíveis a perdas, ao lado de açougue, padaria e rotisseria. Ou seja, o seu cliente perde muito com hortifruti, por isso é natural que parte dessa perda chegue ao atacadista como pedido de devolução.</p> <p>O problema não é a devolução acontecer, mas sim ela ficar só no telefone e no desconto do boleto.</p> <h2>O que é uma entrada por devolução?</h2> <p>Entrada por devolução é o documento que registra a mercadoria que o cliente devolveu de uma venda já feita, no todo ou em parte. Pode ser a caixa inteira ou apenas alguns quilos de um produto vendido em caixa, fazendo com que a mercadoria possa voltar no caminhão ou ficar no cliente, descartada.</p> <p>O que dá valor a esse lançamento é o vínculo. A devolução precisa estar ligada à venda de origem e ao produto que foi vendido. Quando há nota fiscal de devolução, esse vínculo é obrigatório, porque a NF-e de devolução precisa referenciar a nota de origem, senão a Sefaz rejeita. Para a gestão, é esse vínculo que mostra de qual venda, de qual cliente e, quando o estoque é controlado por lote, de qual carga aquela mercadoria saiu.</p> <h2>Por que vincular a devolução à venda de origem?</h2> <p>Porque, sem o vínculo, o relatório mostra um lucro que não existe.</p> <p>Em um exemplo ilustrativo com 100 caixas de tomate, as caixas foram vendidas a R$ 90, e cada uma custou R$ 75. A venda soma R$ 9.000, sendo que o lucro bruto aparece como R$ 1.500, uma margem de 16,7%. Quando o cliente devolve 2 caixas e fica com elas, você deixa de receber, ou devolve a ele, R$ 180, enquanto o custo daquelas caixas já saiu do seu bolso. O lucro real cai para R$ 1.320, uma margem de 15% sobre a receita líquida de R$ 8.820.</p> <p>No relatório do sistema, esse resultado pode aparecer em duas partes: R$ 1.470 de lucro na venda das 98 caixas efetivamente vendidas e R$ 150 de quebra das 2 caixas descartadas. Juntas, dão os mesmos R$ 1.320.</p> <p>Se a devolução não for lançada e a diferença for acertada só com um boleto avulso de valor menor, o relatório de lucratividade continua mostrando R$ 1.500, ou seja, o dinheiro falta no caixa, mas ninguém sabe dizer de onde veio a diferença. Com a devolução vinculada, o valor devolvido sai da venda, do produto e do cliente certos, mas o resultado daquele cliente passa a considerar o que ele pagou, e não o que foi faturado.</p> <h2>Se a mercadoria não voltou, como fica o estoque?</h2> <p>Fica errado, se a devolução for lançada sozinha. A entrada por devolução coloca a mercadoria de volta no estoque. Se as 2 caixas foram para o lixo do supermercado, o sistema passa a mostrar tomate que não existe, o vendedor consulta o saldo, vende essas caixas e a diferença só aparece na contagem.</p> <p>Por isso, a devolução sem retorno físico pede dois movimentos: a entrada por devolução, ligada à venda, e em seguida a saída por quebra das mesmas quantidades. Assim, o estoque volta a bater e a perda fica registrada como o que ela é. No APP Ceasa, essa saída por quebra pode ser gerada automaticamente a partir da devolução.</p> <h2>Como a devolução entra no financeiro?</h2> <p>De mais de um jeito e a escolha depende do acordo com cada cliente. Um caminho é abater o valor do título da venda original, para que o contas a receber mostre o valor líquido, já descontada a devolução. Quando o boleto já foi pago, a devolução pode gerar um pagamento ou um crédito para o cliente. Em devoluções parciais, parte do acerto também pode ser feita como desconto.</p> <p>Nas nossas visitas comerciais, temos visto cada vez mais outro modelo: cada empresa paga o seu. O supermercado ou a rede de hotéis paga o boleto da venda pelo valor cheio, os R$ 9.000 das 100 caixas de tomate. A devolução vem com a nota fiscal de devolução emitida pelo cliente, permitindo que o atacadista pague a ele o valor dessa nota, R$ 180 pelas 2 caixas. O boleto da venda não é cancelado nem emitido de novo com desconto, o que tira burocracia dos dois lados. No sistema, a entrada por devolução vinculada à venda gera o título a pagar ao cliente, e a lucratividade considera a devolução do mesmo jeito que no abatimento.</p> <p>O que não funciona é cada área tratar a devolução do seu jeito: o financeiro dá o desconto no boleto, o estoque não fica sabendo e o comercial continua achando que aquele cliente é rentável. Quando a devolução nasce vinculada à venda, financeiro, estoque e apuração de resultado olham para o mesmo número.</p> <h2>Como descobrir qual cliente devolve mais e o quê?</h2> <p>Com as devoluções lançadas e vinculadas, saber quem devolve mais vira relatório. Sem elas, vira impressão.</p> <p>Os relatórios e o BI passam a mostrar quem devolve, o que devolve e com que frequência. É aí que aparecem as perguntas que valem dinheiro: o cliente que mais devolve é o que mais compra ou o que menos rende? A devolução é sempre do mesmo produto, do mesmo vendedor ou da mesma rota? A quebra devolvida vem de uma carga específica, de um fornecedor que não está entregando bem? No APP Ceasa, a tela de devoluções mostra a venda de origem e a quebra gerada a partir de cada devolução, e um filtro lista as devoluções que tiveram ou não saída por quebra vinculada.</p> <p>Também ajuda separar a quebra que nasce no seu estoque da quebra que volta do cliente. O tomate que estragou na sua câmara fria e o que estragou na gôndola do supermercado são problemas diferentes: um está no seu armazenamento, o outro pode estar na expedição, no ponto de maturação ou no próprio cliente. E o histórico muda a negociação, porque mostrar ao cliente quanto ele devolveu nos últimos três meses, produto a produto, é bem diferente de reclamar que ele devolve muito.</p> <h2>Toda devolução deve virar quebra?</h2> <p>Não. Existe a devolução que é, na verdade, um acordo comercial. O cliente pede abatimento sem que a mercadoria tenha tido problema e a devolução, nesse caso, serve só para baixar o valor a pagar. Se ela for lançada como entrada por devolução e saída por quebra, o seu número de quebra fica inflado com uma perda que não aconteceu, fazendo com que alguém vá procurar na câmara fria um problema que está na negociação. Dessa forma, o caminho é tratar no financeiro, como desconto ou abatimento, analisando como custo comercial daquele cliente.</p> <p>Também é bom ser claro sobre um limite: o sistema registra o que foi lançado. Normalmente, o boleto nasce vinculado à nota fiscal da venda, permitindo que o cliente só pague menos se o atacadista emitir um boleto avulso com o valor descontado. Quando isso é feito sem lançar a devolução, nenhum relatório vai mostrar o que aconteceu. A rotina de lançar a devolução no mesmo dia é o que faz todo o resto funcionar.</p> <h2>O que olhar daqui para a frente?</h2> <p>A quebra faz parte do negócio no F.F.L.V.O e ninguém zera a quebra. Mas é possível saber onde ela acontece e quanto ela custa.</p> <p>Para isso, é importante lembrar de alguns pontos: lançar toda devolução ligada à venda e ao produto, gerar a saída por quebra quando a mercadoria devolvida por quebra não volta, combinar com cada cliente como a devolução será acertada no financeiro e acompanhar, todo mês, quem devolve e o quê. Se você está avaliando um sistema de gestão, um ERP ou outro software para o seu atacado, peça para ver justamente isso numa demonstração, com uma venda sua: uma devolução parcial em quilo de uma venda feita em caixa, a quebra gerada a partir dela, o abatimento no título ou o título a pagar da devolução e a lucratividade do produto e do cliente antes e depois.</p> <p>Um cliente da Mercatus reduziu em 20% a quebra que tinha antes, depois de um a dois anos controlando o estoque no APP Ceasa (Dado Mercatus, 2026).</p> <p>O APP Ceasa é o sistema de gestão da Mercatus Tecnologia para atacadistas e distribuidores de F.F.L.V.O. A Mercatus atende mais de 300 box, tem mais de 4 mil usuários ativos (Dado Mercatus, 2026) e soma 40 anos de experiência no setor, desde 1986.</p> <p><em>Para aprofundar: O tomate disparou. A sua tabela de preço subiu junto? e o glossário com 51 palavras do CEASA.</em></p> <h2>Perguntas frequentes</h2> <h3>O que é entrada por devolução?</h3> <p>É o documento que registra a mercadoria devolvida pelo cliente, total ou parcialmente, de uma venda já feita. Ela deve ser vinculada à venda de origem e ao produto, para corrigir o estoque, o financeiro e a lucratividade.</p> <h3>Qual a diferença entre devolução e quebra?</h3> <p>Devolução é a mercadoria que o cliente devolve de uma venda. Quebra é a mercadoria que perdeu valor e foi descartada. Quando o cliente devolve por quebra e descarta a mercadoria na loja, os dois registros são necessários: a entrada por devolução e a saída por quebra.</p> <h3>Preciso lançar a devolução por quebra se a mercadoria não voltou?</h3> <p>Sim. Sem a devolução, a venda continua com o valor cheio e a lucratividade fica maior do que a real. Sem a saída por quebra em seguida, o estoque passa a mostrar mercadoria que não existe.</p> <h3>Como acertar a devolução no financeiro?</h3> <p>Há dois caminhos mais usados. No primeiro, o valor da devolução é abatido do título da venda, e o contas a receber mostra o valor líquido. No segundo, cada empresa paga o seu: o cliente paga o boleto da venda pelo valor cheio e o atacadista paga a nota fiscal de devolução emitida pelo cliente, sem cancelar nem emitir de novo o boleto.</p> <h2>Fontes</h2> <ul> <li>ABRAS, 21ª Avaliação de Perdas no Varejo Brasileiro de Supermercados, dados de 2020, publicada em abril de 2021. <a href="https://www.abras.com.br/clipping/noticias-abras/72634/supermercados-registram-179-de-perdas-sobre-o-faturamento-bruto" target="_blank" rel="noopener">https://www.abras.com.br/clipping/noticias-abras/72634/supermercados-registram-179-de-perdas-sobre-o-faturamento-bruto</a></li> <li>ABRAS, Pesquisa de Eficiência Operacional 2025. <a href="https://www.abras.com.br/comites/eficiencia-operacional/noticias/26470/indice-de-eficiencia-operacional-atinge-9811-em-2025" target="_blank" rel="noopener">https://www.abras.com.br/comites/eficiencia-operacional/noticias/26470/indice-de-eficiencia-operacional-atinge-9811-em-2025</a></li> <li>Dado Mercatus, 2026: redução de 20% na quebra de um cliente; mais de 300 box e mais de 4 mil usuários ativos.</li> <li>O exemplo numérico é ilustrativo.</li> </ul> </article>

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